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domingo, 22 de março de 2026

ENTREVISTA: "Gerir a Meia Via implica estar muito próximo das pessoas, conhecer bem o território e saber ouvir."



José Couteiro, 57 anos, Técnico de Exploração de Infraestruturas, é o terceiro presidente eleito na ainda jovem história da Freguesia de Meia Via, que assinala este ano 25 anos de existência.

Reeleito nas eleições autárquicas de 2025 para um segundo mandato, viu a confiança dos meiavienses reforçada nas urnas. Depois de uma vitória anterior por margem curta, conquistou agora uma maioria absoluta.

Falámos com o presidente da Junta de Freguesia para perceber como tem sido governar Meia Via nos últimos anos e conhecer também a sua visão para o futuro da freguesia.

Os Meiavienses deram-lhe uma confiança reforçada nas últimas eleições dando-lhe uma maioria absoluta. Considera isso fruto do trabalho que tem feito até aqui? Esta maioria dá-lhe agora uma maior responsabilidade. Está preparado para isso?

A maioria absoluta que recebi dos Meiavienses nas últimas eleições reflete a confiança no trabalho que tem sido feito ao longo dos últimos mandatos. Com dedicação tento compreender as necessidades da nossa comunidade e a trabalhar com seriedade para promover as mudanças que todos desejam. No entanto, é importante lembrar que uma maioria absoluta não é apenas um reconhecimento do passado, mas também uma responsabilidade ainda maior para o futuro. Com essa confiança renovada, comprometo-me a continuar a trabalhar arduamente, ouvindo a população e tomando decisões que garantam o bem-estar e o progresso de nossa Freguesia. A responsabilidade é imensa, mas estamos preparados para enfrentá-la, sempre com o foco em dar a melhor resposta aos desafios que surgem, mostrando determinação e humildade ao mesmo tempo.

Quais foram as maiores dificuldades que tem encontrado nestes últimos anos enquanto Presidente da Junta de Freguesia da Meia Via? Como é gerir uma freguesia com as características da Meia Via?

Os últimos anos trouxeram desafios exigentes. A principal dificuldade tem sido gerir recursos sempre muito limitados face às necessidades reais da freguesia. A Meia Via tem características muito próprias, é uma freguesia com forte identidade, mas também com problemas estruturais antigos, que exigem respostas consistentes e, muitas vezes, dependentes de outras entidades. A proximidade com a cidade de Torres Novas e Entroncamento traz oportunidades, mas também desafios acrescidos, nomeadamente ao nível do ordenamento, da mobilidade e da pressão sobre infraestruturas e serviços. Acresce ainda o impacto de períodos particularmente difíceis, como a pandemia e o aumento generalizado dos custos, que obrigaram a uma gestão ainda mais rigorosa e criteriosa. Gerir a Meia Via implica estar muito próximo das pessoas, conhecer bem o território e saber ouvir. É uma freguesia onde as pessoas são exigentes, mas também participativas, e isso obriga-nos a um trabalho permanente de diálogo, transparência e compromisso. Apesar das dificuldades, é um desafio que encaramos com sentido de missão e com a convicção de que, com trabalho sério e persistente e uma boa equipa de suporte unida num só objetivo é possível continuar a melhorar a qualidade de vida dos Meiaviense.

Das intervenções físicas que conseguiu fazer durante o seu mandato destaca-se a requalificação da rotunda com a toponímia da freguesia, que mereceu rasgados elogios da população. Estes tipos de intervenções urbanísticas são para continuar?

Fico naturalmente satisfeito pelo reconhecimento da população relativamente à requalificação da rotunda, porque foi uma intervenção pensada precisamente para valorizar a identidade da Meia Via e o espaço público. Este tipo de intervenção urbanística é, sem dúvida, para continuar, sempre que existam condições para isso. Acreditamos que pequenos e médios investimentos, bem planeados, podem ter um impacto muito positivo na imagem da freguesia e na qualidade de vida de quem cá vive. No entanto, serão sempre intervenções feitas com responsabilidade, respeitando as prioridades da freguesia e os recursos disponíveis, e ouvindo a população, porque é para ela que trabalhamos.

Há certos assuntos que ainda preocupam a população, nomeadamente a parte referente ao trânsito. Algumas medidas tem sido tomadas para tentar melhorar a situação. Continuará atento a esta problemática? Esta alguma coisa a ser trabalhada sobre este assunto.

A questão do transito é, de facto, uma das maiores preocupações da população de Meia Via, é algo que temos estado particularmente atentos. Trata-se de um problema complexo, que resulta da localização da Freguesia e do intenso fluxo de viaturas atravessadas por ela, o que não se resolve com uma única medida. Ao longo do último mandato foram já implementadas algumas ações, nomeadamente ao nível da sinalização e instalação de lombas redutoras de velocidade. Está também aprovado pela Comissão Municipal de Transito em setembro de 2025, implementação de passadeiras para peões na Rua do Espírito Santo; Rua José Maria Gregório; Rua Professor Matos Branco; Rua 19 de Abril; cruzamento de interceção das ruas, Professor Matos Branco, da Liberdade, Boa Esperança. Marcação de lugares de estacionamento e reserva de lugares de mobilidade reduzida junto ao Centro Escolar, junto à Junta de Freguesia e no Largo da Palmeira. Redutores de velocidade na Rua Professor Matos Branco, Rua da Tuna, Rua Eça de Queiroz, Urbanização Casal Vaz, Urbanização do Botequim, transito proibido a pesados na Ladeira da Cavalaria e sistema de semáforos para controlo de velocidade (30 Km/h) na Rua da Guadiana. Vamos solicitar e ser persistentes na rápida execução pela C.M. Torres Novas. No entanto, temos plena consciência de que ainda há muito a fazer, continuaremos em articulação com a Câmara Municipal de Torres Novas e outras entidades competentes, procurando soluções que melhorem a fluidez do transito sem comprometer a segurança dos peões e a qualidade de vida dos moradores. Continuaremos atentos a esta problemática, disponíveis para ouvir a população e empenhados em encontrar respostas equilibradas e eficazes para um problema que é sem dúvida um dos mais prioritários na nossa Freguesia.

A Avenida dos Antepassados continua a ser outro tema de assunto com a sua requalificação também pedida há muito tempo. Como está este tema?

Foi divulgado um contrato público para a aquisição de serviços de elaboração deste projeto de execução. Neste momento a informação que disponho é que o processo de elaboração do projeto técnico da Requalificação da Avenida dos Antepassados e dos arranjos exteriores do Cemitério de Meia Via ainda não está concluído. Dependerá sempre da aprovação do projeto e lançamento do concurso público, possivelmente ainda durante 2026 se houver ritmo no processo, ritmo este que o Executivo da Junta de Freguesia tentará acelerar, pois esta situação já vem sendo incomodativa há muitos anos.

A Meia Via tem ganho novos espaços de lazer nos últimos anos, como o Canto do Rato, ou o Jardim Professor Coelho Monserrate. Há ainda alguns espaços como o Largo da Igreja ou a zona do Parque Infantil que precisam de também de ser requalificados. Vai ser uma aposta sua também neste mandato?

Claro que sim, apostar na requalificação dos parques infantis. Este ano queremos ficar com a requalificação dos dois parques concluída, garantindo melhores condições de segurança, conforto e qualidade de vida para a população, em especial para as crianças e famílias. A requalificação do Largo da Fonte terá o seu início em março deste ano, neste mandato, pretendemos requalificar a rotunda da Urbanização do Botequim, projetar e executar a requalificação da bifurcação da Rua José Maria Gregório com a Rua António Sérgio (Urbanização Sópovo). Em relação à zona envolvente do parque infantil da Urbanização Casal Vaz, existem várias ideias para o local, estamos a trabalhar com a Câmara Municipal, para que passem para projeto.

Na inauguração do Jardim Professor José Coelho Monserrate


 As obras do Complexo Desportivo avançam a bom ritmo. Esta é uma obra que vai dotar a Meia Via com um parque desportivo de excelência. Poderá ser inaugurada no seu mandato. Como olha para esta obra e a importância que ela terá para a Freguesia?

Temos de voltar atrás no tempo, numa fase inicial, existiram outras localizações em estudo para a implementação do Parque Desportivo Municipal, nomeadamente Casais Castelos e Lapas. No entanto, desde o primeiro momento, a Junta de Freguesia de Meia Via entendeu que fazia todo o sentido que este equipamento fosse instalado na própria freguesia, atendendo às suas necessidades específicas, à sua localização e à população que serve.

A escolha da Meia Via resultou de um trabalho persistente de diálogo, argumentação e cooperação institucional com a Câmara Municipal. Defendemos esta localização com base em critérios objetivos, a centralidade, a proximidade ao Centro Escolar, com capacidade de o equipamento servir não só a população da freguesia, mas também as crianças e jovens em contexto escolar e o impacto positivo na comunidade local. Mais do que uma reivindicação isolada, foi um processo construído com espírito colaborativo, demonstrando que esta opção traria benefícios claros e duradouros. Felizmente, esse entendimento foi alcançado, permitindo que a Meia Via seja hoje a beneficiária direta de um equipamento desportivo de grande qualidade. Este resultado demonstra que, quando existe proximidade com a população, visão para o território e capacidade de diálogo institucional, é possível alcançar soluções que valorizam verdadeiramente a freguesia e respondem às necessidades reais das pessoas. As obras do Parque Desportivo Municipal de Meia Via estão, de facto, a avançar a um bom ritmo, o que nos deixa muito satisfeitos. Trata-se de uma intervenção estruturante que irá dotar a freguesia de um equipamento moderno, funcional e de elevada qualidade, há muito desejado. Relativamente à inauguração, a expectativa é que a obra possa vir a ser concluída e inaugurada ainda durante este ano, caso se mantenha o atual ritmo de execução e que não surjam constrangimentos imprevistos. Naturalmente, trata-se de uma obra municipal, mas a Junta de Freguesia acompanha o processo com atenção e espírito de colaboração, sempre na defesa dos interesses da freguesia.

Há muito que se fala e que se reclama por uma nova sede para a Junta de Freguesia da Meia Via. Este é um projeto que gostaria de concretizar?  

A necessidade de uma nova sede da Junta de Freguesia de Meia Via é uma preocupação antiga e legítima e partilhada por muitos fregueses. As atuais instalações não reúnem, há já algum tempo, as condições ideais para o atendimento ao público, para o funcionamento dos serviços e para a dignificação do papel da Junta junto da população. Este é, sem dúvida, um projeto que gostaríamos de concretizar. No entanto, trata-se de um objetivo que exige planeamento, diálogo institucional e enquadramento financeiro adequado. A Junta de Freguesia tem vindo a acompanhar esta questão com sentido de responsabilidade, avaliando soluções possíveis e procurando, sempre que viável, o apoio da Câmara Municipal. Mais do que uma ambição política, uma nova sede deve ser encarada como um investimento na proximidade aos fregueses, na melhoria dos serviços públicos e na valorização da freguesia. Nesse sentido, continuaremos empenhados em trabalhar para que este projeto possa, no futuro, tornar-se uma realidade, de forma sustentável e transparente.

Que outros projetos gostaria de ver realizados durante o seu novo mandato?

Sonhar, ainda não é proibido, como presidente da Junta de Freguesia, gostaria de concretizar vários projetos estruturantes durante o mandato, nomeadamente um projeto inicial para criação de um espaço multiusos coberto e outro descoberto, espaços estes, que servem para acolher atividades culturais, desportivas, recreativas e comunitárias, permitindo a realização de eventos ao longo de todo o ano, promovendo o convívio entre a população e a dinamização da freguesia, iniciar igualmente o projeto da futura sede da Junta de Freguesia. Considero prioritária, a requalificação da Urbanização do Casal Vaz, a Urbanização do Botequim e claro a requalificação da Avenida dos Antepassados. A criação de um jardim e parqueamento de veículos na bifurcação da Rua José Maria Gregório e Rua António Sérgio (Urbanização Sópovo) que dignifique e valorize aquele espaço, bem como a requalificação da rotunda da Urbanização do Botequim. Projetar e executar uma ciclovia desde o Centro Escolar até ao Parque Desportivo Municipal de Meia Via, com o objetivo de garantir as melhores condições de segurança aos nossos alunos.

A Festa da Freguesia e das Associações tem sido um sucesso e a Junta de Freguesia desempenha um papel importante na sua concretização. Esta é uma iniciativa que quer continuar?

A Festa da Freguesia e das Associações, quando é realizada, tem sido um momento de grande participação cívica e de celebração comunitária na Meia Via. Graças ao empenho das associações locais, ao envolvimento dos nossos residentes, a ajuda preciosa dos nossos parceiros sociais e ao trabalho coordenado da Junta de Freguesia, esta iniciativa consolidou-se como uma das mais vivas e marcantes da nossa vida comunitária. A Junta de Freguesia de Meia Via orgulha-se de desempenhar um papel ativo na organização e concretização desta festa, valorizando as tradições, a cultura, o associativismo e o convívio entre todas as gerações. Sim, esta é uma iniciativa que queremos continuar bianualmente, com a mesma energia e dedicação, e com um compromisso constante de a tornar ainda mais representativa, inclusiva e participada por todos os que fazem parte da nossa freguesia. Continuaremos a trabalhar em estreita colaboração com as associações, com os nossos parceiros sociais e com os nossos fregueses, para que esta festa seja sempre um momento de encontro, alegria e afirmação da nossa identidade coletiva.

A Meia Via assinala no dia 3 de julho 25 anos de elevação a Freguesia? Vai haver alguma iniciativa ou iniciativas especiais para assinalar a data?

 Sim, a Freguesia de Meia Via foi criada no dia 3 de julho de 2001, ou seja, este ano a freguesia completa 25 anos desde a sua elevação à condição de freguesia. A data é importante e já começou a ser celebrada, no dia 03 de janeiro de 2026, com a atuação do Coral Concórdia de Entroncamento na Igreja de Meia Via, foi um projeto apresentado ao Executivo da Junta de Freguesia que recebemos de bom agrado. As comemorações do 25 abril, este ano será no Centro Social Divino Espírito Santo, com pernil no espeto e a atuação do «DJ FIVE (Filipito)». No dia 23 de maio de 2026, será realizado um espetáculo na Sociedade Filarmónica Euterpe Meiaviense, com a presença da banda «OLDWISH», «CLASSICS BAND» e «DJ NUNO BRUNO». No dia 03 de julho de 2026, será realizado o ato oficial no Centro Social Divino Espírito Santo, com convidados e aberto a toda a população de Meia Via, terá também a presença musical de «PEDRO DIONISIO».

Começamos um novo ano, que mensagem gostaria de deixar a todos os Meiaviense?

Em primeiro lugar gostaria que todos os fregueses que lerem esta entrevista, fiquem o mais elucidados possível, sobre os temas aqui abordados, mais transparente não o posso ser, gostaria também que fossem mais inclusivos e participativos na nossa comunidade e nas Assembleias de Freguesia.

Com o início de um novo ano, é com grande sentido de responsabilidade e proximidade que me dirijo a todos vós. O ano que agora terminou foi feito de desafios, mas também de conquistas alcançadas com o contributo, a participação e o espírito solidário da nossa comunidade. A todos os que, de diferentes formas, colaboraram com a Junta de Freguesia de Meia Via, deixo uma palavra sincera de agradecimento. O novo ano traz consigo renovadas oportunidades para continuar a trabalhar em prol da melhoria da qualidade de vida na nossa freguesia. Reafirmo o compromisso desta Junta em permanecer próxima dos fregueses, atenta às suas necessidades e empenhada na construção de uma freguesia mais coesa, inclusiva e dinâmica. Que este novo ano seja vivido com saúde, esperança e confiança no futuro. Que nunca nos falte o sentido de comunidade que nos une e nos fortalece.Em nome da Junta de Freguesia de Meia Via, desejo a todos um excelente Ano Novo.

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